A energia é um dos custos fixos mais relevantes no orçamento das famílias portuguesas. Entre electricidade, gás natural e, em alguns casos, outras fontes de energia, a fatura mensal pode representar um peso significativo — sobretudo num contexto de aumentos de preços e maior instabilidade no mercado energético.
Apesar disso, muitos consumidores continuam a pagar mais do que deviam, não por falta de rendimento, mas por desconhecimento das opções disponíveis e das decisões que podem tomar para reduzir custos.
Neste artigo explicamos, de forma simples e prática, o que deve saber sobre energia em Portugal e o que pode fazer para pagar menos, sem comprometer o conforto.
Como funciona o mercado de energia em Portugal?
Desde a liberalização do mercado, os consumidores em Portugal podem escolher livremente o fornecedor de energia, tanto de electricidade como de gás natural.
Na prática, isto significa que:
- A rede eléctrica é a mesma para todos
- A qualidade do serviço não muda
- O que muda é o preço, as condições contratuais e os serviços associados
Ainda assim, muitas pessoas continuam com o mesmo fornecedor durante anos, sem comparar alternativas.
Electricidade e gás: o que está incluído na fatura?
A fatura de energia não inclui apenas o consumo. Normalmente é composta por:
- Consumo de electricidade ou gás
- Potência contratada (electricidade)
- Termo fixo
- Tarifas de acesso às redes
- Impostos e taxas
É por isso que duas casas com consumos semelhantes podem ter faturas muito diferentes, dependendo do contrato e do fornecedor.
Potência contratada: está a pagar mais do que precisa?
A potência contratada é um dos factores que mais influencia o valor fixo da fatura de electricidade.
Se a potência for superior às suas necessidades reais:
- Paga mais todos os meses
- Mesmo que consuma pouca energia
Por outro lado, uma potência demasiado baixa pode fazer disparar o quadro eléctrico quando utiliza vários equipamentos em simultâneo.
Avaliar e ajustar a potência contratada é uma das formas mais simples de reduzir custos, sem afectar o conforto.
Tarifas simples, bi-horárias e tri-horárias: qual escolher?
Tarifa simples
O preço da electricidade é o mesmo durante todo o dia.
É indicada se:
- Consome energia de forma distribuída
- Não consegue concentrar consumos em horários específicos
Tarifa bi-horária
Existem dois períodos:
- Vazio (mais barato)
- Fora de vazio (mais caro)
Pode compensar se:
- Usa máquinas à noite
- Tem termoacumulador
- Consegue adaptar hábitos
Tarifa tri-horária
Divide o dia em três períodos de preço.
É mais complexa e só compensa em casos muito específicos.
Escolher a tarifa errada pode resultar numa fatura mais alta, mesmo com consumos moderados.
Que electrodomésticos consomem mais energia?
Nem todos os equipamentos têm o mesmo impacto na fatura. Entre os que mais consomem destacam-se:
- Aquecedores eléctricos
- Termoacumuladores
- Fornos e placas eléctricas
- Máquinas de secar roupa
- Ar condicionado
A forma como utiliza estes equipamentos pode ter tanto impacto como o próprio consumo.
A etiqueta energética ainda é importante?
Sim, e cada vez mais.
A etiqueta energética indica:
- O nível de eficiência do equipamento
- O consumo estimado
- Outras características relevantes
Equipamentos mais eficientes tendem a:
- Consumir menos energia
- Ter um custo inicial mais elevado
- Compensar a médio e longo prazo
Ignorar a eficiência energética pode resultar em custos mais elevados durante anos.
Vale a pena mudar de fornecedor de energia?
Na maioria dos casos, sim.
Mudar de fornecedor:
- Não implica obras
- Não afecta a qualidade do serviço
- Não interrompe o fornecimento
Pode resultar numa poupança significativa, sobretudo se nunca comparou ofertas ou se mantém um contrato antigo.
Energias renováveis: são sempre mais baratas?
As energias renováveis têm vindo a ganhar peso no mercado, mas nem sempre significam automaticamente uma fatura mais baixa.
O que deve analisar é:
- O preço por kWh
- O termo fixo
- A duração do contrato
- As condições de fidelização
Em alguns casos, as ofertas associadas a energia “100% verde” são competitivas; noutros, não compensam financeiramente.
Autoconsumo e painéis solares: fazem sentido para si?
O autoconsumo pode ser uma solução interessante, sobretudo para:
- Moradias
- Famílias com consumos elevados
- Quem consegue aproveitar a produção durante o dia
No entanto, exige investimento inicial e deve ser analisado caso a caso. Nem sempre é a solução mais vantajosa para todos os perfis.
Erros comuns na gestão da energia
Alguns dos erros mais frequentes incluem:
- Nunca comparar fornecedores
- Ter potência contratada excessiva
- Escolher tarifas inadequadas
- Ignorar a etiqueta energética
- Manter contratos antigos sem rever condições
Como pode começar a poupar na energia?
Para reduzir a fatura, deve:
- Analisar o seu contrato actual
- Avaliar a potência contratada
- Comparar tarifas e fornecedores
- Ajustar hábitos de consumo
- Investir em eficiência energética quando possível
A informação é a principal aliada para pagar menos energia.
Gerir bem a energia não é apenas uma questão de consumo, mas de escolhas informadas. Ao compreender como funciona o mercado, analisar o seu contrato e rever as opções disponíveis, pode reduzir custos sem abdicar do conforto no dia a dia.
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